quinta-feira, 15 de março de 2012

Fructosamina

A fructosamina resulta da ligação irreversível da glucose às proteínas plasmáticas (nos cães a glucose tem maior afinidade para a albumina e nos gatos para as globulinas). Dado o tempo de semi-vida das proteínas séricas, a concentração de fructosamina correlaciona-se com a concentração média de glucose durante as 2 a 3 semanas anteriores.
                                 
As vantagens da medição da fructosamina são claras:
                
Permite distinguir, através de uma única medição, animais hiperglicémicos não diabéticos de animais com hiperglicémia crónica;
                         
Na impossibilidade de colher urina, é um método fiável de identificar uma hiperglicémia persistente, evitando desse modo a necessidade de uma segunda colheita de sangue e consequente deslocação do animal à clínica;
                                       
Não é influenciada por uma hiperglicémia transiente, tal como a hiperglicémia induzida por stress em gatos, pelo que é extremamente útil na confirmação do diagnóstico de diabetes em gatos;
                             
É ainda amplamente utilizada na avaliação a longo termo do controlo da diabetes e do cumprimento do tratamento com insulina por parte dos donos.
                                                        
Intervalos de referência para a fructosamina
                                                                                                           
Cães
Concentração de fructosamina (mmol/L)
Cão normal (não-diabético)
225-365
Cão diabético (recém-diagnosticado)
320-850
Cães diabéticos tratados

- excelente controlo
350-400
- bom controlo
400-450
- razoável controlo
450-500
- mau controlo
>500
                                                                                                                                             
                                                                                                                                                       
Gatos
Concentração de fructosamina (mmol/L)
Gato normal (não-diabético)
190-365
Gato diabético (recém-diagnosticado)
350-730
Gatos diabéticos tratados

- excelente controlo
350-400
- bom controlo
400-450
- razoável controlo
450-500
- mau controlo
>500

quarta-feira, 14 de março de 2012

Tiróide

Por que é que medir apenas a T4 total pode não ser suficiente para diagnosticar hipotiroidismo em cães?
         
A sensibilidade de uma medição de T4 total é de aproximadamente 90%. Isto quer dizer que cerca de 10% dos cães com hipotiroidismo podem apresentar valores de T4 total dentro do intervalo de referência e desse modo serão classificados incorrectamente como animais eutiróides. Por outro lado, e conforme as referências consultadas, está descrito que entre 18 a 25% dos animais eutiróides podem apresentar valores abaixo do intervalo de referência, dando origem a diagnósticos incorrectos de hipotiroidismo.
          
Se uma proporção significativa (15-25%) dos animais com hipotiroidismo apresenta valores de TSH normais, porque devo pedir esta medição?
               
A sensibilidade de uma medição isolada de TSH é efectivamente baixa (0,76 a 0,87) pelo que uma proporção significativa de animais hipotiróides apresentará valores desta hormona dentro do intervalo de referência. Contudo, é igualmente verdade que uma TSH elevada aumenta até muito próximo dos 100% a especificidade de uma medição de T4 baixa. Por outras palavras, uma TSH elevada com uma T4 total ou T4 livre baixa confirma o hipotiroidismo na maioria das situações.
                           
Quais os métodos validados para medição de T4 total?
                         
A medição de T4 total por RIA é amplamente aceite como método de referência para a medição desta hormona desde que o kit utilizado seja suficientemente sensível para detectar concentrações inferiores a 1,0 µg/dl, permitindo desse modo diferenciar cães eutiróides e hipotiróides. A medição por ELISA é outro método preciso e sensível para determinação da concentração de T4 total felina e canina (com coeficientes de relação de 0,97 e 0,88, respectivamente, com a medição efectuada por RIA). Não sofre interferência por hemólise ou concentrações moderadas a elevadas de triglicerídeos e é inclusive menos susceptível a sofrer interferência por presença de auto-anticorpos anti-T4 do que as medições efectuadas por RIA.
                                        
Para que serve a medição dos autoanticorpos anti-tiroglobulina?
                            
As duas causas mais comuns de hipotiroidismo são a atrofia idiopática da tiróide e a tiroidite linfocitária, sendo cada uma responsável por cerca de metade dos casos de hipotiroidismo. Esta é precisamente a percentagem de animais hipotiróides com resultado positivo no teste para presença de autoanticorpos anti-tiroglobulina, o que suporta a ideia de que estes pacientes têm uma afecção auto-imune da tiróide.
Apesar de a presença de autoanticorpos anti-tiroglobulina não estabelecer por si só o estado da tiróide de um paciente, estudos recentes demonstraram que 20% animais com todos os resultados normais à excepção da presença de TgAA, irão evoluir no prazo de um ano para um quadro com mais anomalias clínicas e laboratoriais compatíveis com hipotiroidismo.
                         
Em que situações deverei pedir a medição da T4 livre por equilíbrio de diálise?
                                       
A medição da T4 livre por ED é o teste isolado com a melhor combinação de sensibilidade, especificidade e precisão. A interferência das proteínas séricas na medição da T4 livre é minimizada, pelo que esta medição poderá ser particularmente útil em animais com patologias não tiroideias ou a efectuar certos tipos de medicação.
                                 
Quando devo considerar a hipótese de realizar um ensaio terapêutico?
                                     
Em algumas situações os resultados dos testes da tiróide podem ser inconclusivos - especialmente nas fases iniciais da doença - pelo que pode fazer sentido realizar um ensaio terapêutico desde que se cumpram os seguintes critérios: os sinais clínicos suportam o diagnóstico, não existem outras patologias que possam ser tratadas antes de realizar novas análises e existe um sinal clínico ou lesão que possa ser monitorizada objectivamente durante a terapia.
Dito isto, está recomendado o ensaio terapêutico quando ocorre um dos seguintes resultados:
- T4 total baixa;
- T4 total normal e resultado positivo para pesquisa de autoanticorpos anti-T4;
- T4 total normal e TSH alta.
                                                        
Que medições deverei pedir para monitorizar o tratamento de um animal com hipotiroidismo?
                                                    
A monitorização terapêutica de cães em tratamento para hipotiroidismo envolve a avaliação da resposta clínica à suplementação com levotiroxina e a medição das concentrações de T4 total e TSH. Tipicamente as concentrações de T4 e TSH são medidas 4 a 6 horas após a administração de levotiroxina em animais com medicação bi-diária. Em casos de uma única toma por dia, para além da anterior, é também conveniente efectuar uma medição das concentrações imediatamente antes da administração do medicamento.

FIV e FELV

Para ELISA´s de FIV (Ac) e FELV (Ag) a amostra necessária é soro e não plasma EDTA. Para PCR dos mesmos agentes a amostra necessária é sangue EDTA ou medula óssea em EDTA (0,5ml). 
Já na maioria das restantes serologias, as mesmas podem ser realizadas tanto com soro ou plasma EDTA. 
              
               

Biópsias: indicações e contraindicações


                                                                          
Muitas vezes o clínico depara-se com massas de origem ou aparente origem tumoral que é necessário investigar. A realização de biópsias tumorais está indicada quando o tratamento depende do tipo de tumor, quando a extensão das margens da excisão dependem do tipo de tumor, quando o tumor se encontra numa área de difícil reconstrução sendo necessário um planeamento e preparação cuidada do paciente e cliente e quando o tipo de tumor e o seu curso biológico (prognóstico) poderão alterar o envolvimento do cliente e a sua vontade de continuar com o tratamento. A realização de biópsias está desaconselhada quando  o tipo do tratamento ou extensão da cirurgia não são afectados pelo tipo de tumor (ex: tumores testiculares, tumores no baço) ou quando o procedimento para obter a biópsia é tão arriscado como a remoção definitiva (ex: tumores intramedulares).
     
Se decidir por prosseguir com a biópsia, existem várias opções disponíveis, cada uma com vantagens e desvantagens:
     
"Needle core" - Podem ser virtualmente usadas em qualquer tipo de tumor, desde que acessível à punção. Pode ser usada em lesões externas ou em órgãos internos (rim, fígado, próstata, etc). Estão desaconselhadas em lesões muito necrosadas ou inflamadas e nos sarcomas dos tecidos moles que são muitas vezes ricas em tecido conjuntivo inapropriado para diagnóstico. Pode ser realizada apenas com anestesia local.
    
"Punch" - permitem retirar fragmentos de tecidos mais largos e menos profundos que as biópsias needle core. Poderão portanto ser usados em tumores externos, planos ou pouco profundos. Massas subcutâneas não devem ser biopsiadas com este método excepto se primeiro for realizada uma incisão cutãnea.
     
Incisional - são usadas quando nem a bióspia incisional nem a citologia revelaram resultados frutíferos. Também é preferível em tecidos ulcerados ou necrosados pois permite retirar maior quantidade de tecidos. Em tumores grandes, exofíticos e pouco enervados, a biópsia incisional poderá ser útil na medida em que muitas vezes não é necessário anestesia ou sedação. No caso dos tumores orais, as biópsias incisionais em cunha são o método de escolha.
    
Excisional - deverá ser ultilizada quando o  conhecimento do tipo de tumor não altera o tratamento a efectuar. No entanto, é o método mais frequentemente utilizado uma vez que tem a  capacidade, em determinados casos, de ser simultaneamente diagnóstico e terapêutico.

Após recolha da biópsia, a peça deverá ser colocada em formol e a ficha de requisição preenchida com o máximo de informação possível. Não se esqueça que a comunicação com o patologista é essencial para um diagnóstico bem sucedido.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A INNO

A INNO é um Laboratório de Referência, especialmente concebido para Medicina Veterinária, oferecendo a todos os Médicos Veterinários Portugueses, há 12 anos, a possibilidade de usufruírem de um serviço laboratorial ao nível dos melhores Laboratórios Internacionais.
Só assim foi possível garantir a mais ampla e inovadora gama de análises laboratoriais que resulta na oferta de um serviço de qualidade.
                       
Somos líderes na prestação de serviços laboratoriais em Medicina Veterinária, e oferecemos um serviço único, fiável, rápido e personalizado, orientado para o Médico Veterinário e para as exigências do seu dia-a-dia.
                  
Todos os dias, a nossa equipa técnica de Médicos Veterinários trabalha em prol dos seus colegas Veterinários e parceiros. Procuramos sempre os melhores profissionais e fornecemos-lhes os recursos que necessitam para serem os melhores naquilo que fazem. O resultado é que todos os nossos serviços têm a capacidade de enriquecer o trabalho do Médico Veterinário em geral.
O nosso propósito não é só apenas oferecer resultados, sem que o mesmo seja convertido numa percepção de segurança no diagnóstico final. Com isto conseguimos atingir um objectivo único que na INNO desde sempre perseguimos, ser um importante colaborador de qualquer CAMV.
                 
A INNO é o principal Laboratório de Referência em Portugal, oferecendo o catálogo de análises diagnósticas mais completo que existe no mercado e dispõe da equipa técnica mais reconhecida a nível nacional, constituída essencialmente por Médicos Veterinários.
          
Facilitamos todo o material necessário para a correcta colheita e manuseamento das amostras, um serviço completamente inovador de consulta de resultados e requisição de análises a partir de qualquer lugar, a qualquer hora e em tempo real. 
Disponibilizamos os resultados no próprio dia, na esmagadora maioria das análises, sem que para isso abdiquemos de um sistema único de controlo de qualidade exaustivo, e com duplo processo de validação de resultados. No nosso laboratório todos os resultados são sempre validados por um Médico Veterinário antes de serem enviados, e ainda oferecemos um serviço inovador de atendimento telefónico de apoio ao diagnóstico por uma equipa de Médicos Veterinários especializados e altamente qualificada.
                            
A nossa equipa está preparada e sempre disponível para prestar toda a assistência e aconselhamento necessários até à formulação do diagnóstico final.

Somos um laboratório integrado na vida dos nossos clientes.

A equipa

A INNO é constituída por uma equipa jovem, multidisciplinar e com grande capacidade de trabalho. Pretendemos ser sempre um player dinâmico e pioneiro, pelas suas características tecnológicas e know-how. Somos uma equipa constituída por vários Médicos Veterinários, com especializações em diversas áreas da Medicina Veterinária, efectuadas em Portugal e no estrangeiro, com ligações a Universidades e redes de excelência.
                                               
                     
Paula Brilhante Simões, MV
Desempenha funções de Diretora Técnica no Laboratório INNO - Serviços Especializados em Veterinária desde Junho de 2008, sendo também responsável pelas áreas de Citologia, Hematologia e Parasitologia. Licenciada pela Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa em 1987. Mestre em Ciências Veterinárias pela UTAD e doutoranda em Ciências Veterinárias na UTAD. Executou funções de Diretora Técnica do Laboratório de Análises Clínicas do Hospital Veterinário do Porto de 1990 a 2008 e trabalha, desde 1992, como auditora de segurança alimentar e perita para a Modelo Continente Hipermercados, SA do grupo SONAE. Oradora em diversos congressos e formadora de diversos cursos nas áreas da Citologia e Hematologia. É membro da European Society of Veterinary Clinical Pathology (ESVCP). Possui publicações em revistas nacionais e internacionais da especialidade.
                             
Augusto Silva, MV
Desempenha funções nas áreas de Hematologia, Bioquímica, Endocrinologia, Microbiologia e Urianálise. Licenciado em Medicina Veterinária pelo ICBAS-UP em 2005. Durante os estágios realizados, adquiriu competências na área de análises clínicas, com especial relevância para a qualidade do leite. Em simultâneo com o trabalho no laboratório, realizou um estudo pioneiro em Portugal para a INNO, em consórcio com uma Associação de Produtores Leiteiros. É autor de diversos posters e artigos na área do controlo e qualidade do leite, assim como autor e coautor de diversos artigos científicos na área das análises clínicas.

Joana Fonseca, MV
Desempenha funções nas áreas de Hematologia, Bioquímica, Endocrinologia, Urianálise, Imunologia e Parasitologia. Mestre em Medicina Veterinária pela Universidade de Évora em 2011, desenvolveu estágios na INNO e em clínica de animais de companhia e patologia clínica na University of Tennesse, College of Veterinary Medicine.


Ricardo Lopes, DMV, MSc
Mestrado integrado em Medicina Veterinária pela Universidade de Évora em 2015. Desempenha funções de Patologista Médico e Clínico no Laboratório INNO - Serviços Especializados em Veterinária, desde 2015. Em 2012 estagiou como Médico Veterinário no Hospital Veterinário Muralha de Évora. Trabalha, desde 2013, como Médico Interno no Centro Hospitalar Veterinário e, em simultâneo, é Médico do Serviço de Urgência e Cuidados Intensivos no Hospital Veterinário de Santa Marinha. Cooperação com a Faculdade de Medicina e Ciências da Saúde, da Universidade Católica de São Paulo – Brasil e a Bulgarian Academy of Sciences na investigação de novas técnicas de diagnóstico em doenças infeciosas e autoimunes.


Leonor Delgado, DMV, MSc
Concluiu o Mestrado Integrado em Medicina Veterinária pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Universidade do Porto, em 2014. Licenciada em Anatomia Patológica, Citológica e Tanatológica, pelo Instituto Politécnico de Saúde do Norte - CESPU-IPSN (2008), Mestre em Patologia Oral pela mesma instituição (2011), exercendo funções de professora assistente convidada entre 2008-2012. Atualmente exerce funções como Médica Veterinária no departamento de Anatomia Patológica do Laboratório INNO - Serviços Especializados em Veterinária. Estudante de Doutoramento em Ciências Veterinárias, ramo de Ciências Biomédicas na UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Participa em projetos de investigação na área da carcinogénese oral. Autora e coautora de publicações nesta área.

Sobre o blog

Este blog foi desenvolvido de forma a reunir toda a informação sobre diagnóstico laboratorial em Medicina Veterinária. Foi construído por e para Médicos Veterinários, com o intuito de ser uma plataforma de troca de conhecimentos sobre os mais recentes avanços tecnológicos na área, mas também para funcionar como um local de compilação de informação que ajude a responder às questões de ordem prática com que os colegas se debatem diariamente na sua prática clínica.
Esperamos pelo vosso contributo sob a forma de posts, comentários, links úteis e outros conteúdos que nos ajudem neste objectivo.
 

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