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terça-feira, 15 de junho de 2021

Padrões de resistência antimicrobiana de bactérias isoladas exsudados auriculares de animais de companhia em Portugal


Otite externa
Artigo da autoria de:
Andreia Garcês DVM, MSc, PhD
Laboratório Veterinário INNO
andreiagarces@inno.pt


A otite externa é uma das doenças mais comuns em animais de companhia, em particular nos cães [1]. O seu diagnóstico é feito com base na história do animal, exame otoscópico da membrana timpânica e sinais clínicos como eritema, edema, odor fétido e prurido. É uma doença de etiologia multifatorial, sendo as leveduras e bactérias a principal etiologia [2,3]. Citologia, cultura microbiológica e testes de suscetibilidade antibacteriana são necessários para um correto diagnóstico e tratamento.

Foram analisadas todas as culturas microbiológicas de exsudados auriculares de cães e gatos submetidas ao Laboratório Veterinário INNO entre janeiro de 2017 e dezembro de 2019. Apenas os isolados positivos com crescimento bacteriano foram selecionados.

Um total de 2715 amostras tiveram resultado positivo para crescimento bacteriano. Das amostras positivas, 76,6% eram culturas puras e 23,4% mistas. No total, 3544 agentes foram isolados.

Os animais com infeção eram na sua maioria machos (56%). A classe de idade mais afetada foi entre 6-11 anos (34,8%), seguido dos animais jovens com 0-5 anos (29%). As raças de cães mais afetadas por otite foram o Golden Retriver (n=540), animais sem raça definida (SDR) (n=484) e buldogue francês/inglês (n=228). A raças de gato mais afetadas foram o europeu comum (n=125) e o persa (n=26). Estes resultados seguem em linha com o que encontra descrito na bibliografia em que os cães de raças com orelhas pendulares, hipertricose e excesso de humidade possuem predisposição para desenvolverem otite externa [2]

O principal agente etiológico isolado foi a Staphylococcus pseudointermedius (29,7%, n=1027), seguido da Pseudomonas aeruginosa (14,6%, n=506). Dos 1027 S. pseudintermedius e 121 S. aureus isolados, foi observado que 9% (44 em 503 testados para oxacilina) são S. pseudintermedius resistente à meticilina (MRSP), e 6% (3 em 51 testados para oxacilina) são S. aureus resistente à meticilina (MRSA). Cerca de 26% das S. aureus e 17 % S. pseudintermedius eram MDR. No caso de Pseudomonas aeruginosa 17 apresentavam resistência a carbapenemes., e 277 eram MDR (54,7%).

Relativamente à sensibilidade antimicrobiana, observamos que existe um predomínio de resistência aos antibióticos da categoria D. Na categoria D, inserem-se as classes de antibióticos utilizados como primeira linha de tratamento, como penicilinas, tetraciclinas, sulfonamidas entre outros [4]. Ao longo dos três anos de estudo foi possível observar que tem vindo a aumentar a resistência a antibióticos da categoria C. A utilização de antibióticos desta categoria deve ser feita com cuidado e limitada a situações em que não há alternativas da categoria D. Na categoria B e A para o período de estudo parece que tem vindo a diminuir o número de resistências, que é uma tendência que se deve tentar manter, uma vez que nestas duas categorias estão incluídas classes de antibióticos que são importante para medicina humana e alguns cujo uso é proibido em animais [4].

Os resultados obtidos neste estudo mostraram que em Portugal as otites de origem bacteriana seguem a mesma tendência que em outros países [1,2,5] e ajudam a compreender a situação a nível nacional, onde os estudos nesta área são quase inexistentes. Para além disso, realçam a importância de uma avaliação clínica individualizada nos quadros de otite externa e média em pequenos animais, reforçando a importância da realização de exame microbiológico e antibiograma como forma de selecionar o tratamento mais adequado e combater o aumento de bactérias multirresistentes.


Bibliografia consultada:

1 - Colombini S, Merchant SR, Hosgood G. Microbial flora and antimicrobial susceptibility patterns from dogs with otitis media. Vet Dermatol. 2000;11(4):235–9.
2 - Almeida MDS, Santos SB, Mota ADR, Da Silva LTR, Silva LBG, Mota RA. Isolamento microbiológico do canal auditivo de cães saudáveis e com otite externa na região metropolitana de Recife, Pernambuco. Pesqui Vet Bras. 2016;36(1):29–32.
3 - Oliveira LC, Brilhante RSN, Cunha AMS, Carvalho CBM. Perfil de isolamento microbiano em cães com otite média e externa associadas. Arq Bras Med Vet e Zootec. 2006;58(6):1009–17.
4 - Categorisation of antibiotics used in animals promotes responsible use to protect public and animal health | European Medicines Agency [Internet]. [cited 2020 Mar 2]. Available from: https://www.ema.europa.eu/en/news/categorisation-antibiotics-used-animals-promotes-responsible-use-protect-public-animal-health
5 - De Martino L, Nocera FP, Mallardo K, Nizza S, Masturzo E, Fiorito F, et al. An update on microbiological causes of canine otitis externa in Campania Region, Italy. Asian Pac J Trop Biomed [Internet]. 2016;6(5):384–9. Available from: http://dx.doi.org/10.1016/j.apjtb.2015.11.012

segunda-feira, 27 de março de 2017

Inovação em Microbiologia. Contagens bacterianas estáveis até 48 horas















A urina, a par do sangue, é o espécime mais frequentemente analisado em laboratórios de análises clínicas. De todas as análises efetuadas em urina, a cultura microbiológica é das mais sujeitas a alterações quando as condições pré-analíticas não são as ideais. Um dos principais problemas é o crescimento bacteriano que ocorre quando as amostras não são mantidas refrigeradas, ou sujeitas a transportes demorados. O crescimento de contaminantes pode, desse modo, sobrepor-se ao de germes patogénicos. 

Os tubos da Vacuette para cultura urinária contêm um conservante (ácido bórico) que mantém as contagens bacterianas estáveis até 48 horas à temperatura ambiente, eliminando a necessidade de refrigeração da urina. Outras características dos tubos são as tampas de segurança que evitam derramamento da amostra e a sua composição em plástico PET, que os torna virtualmente inquebráveis.

As vantagens do envio de amostras de urina para cultura microbiológica nestes tubos são evidentes, os diagnósticos são mais seguros, os resultados mais rápidos e menos pedidos de novas colheitas.

Para qualquer esclarecimento adicional, contacte o nosso laboratório.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Alteração ao Antibiograma Introdução da Cefovecina


Artigo da autoria de:
Augusto Silva, DVM
Laboratório Veterinário INNO
geral@inno.pt
     
       
A seleção de um antibiótico é uma decisão cuja importância é indissociável do fenómeno de resistência aos antibióticos e suas consequências, não só em termos de saúde do animal a ser tratado, como também em termos de saúde pública. Por esse motivo, a realização de culturas microbiológicas e o teste de sensibilidade a antibióticos (TSA) são uma análise indispensável para todos os CAMV's que pretendam fazer uma escolha baseada em critérios objetivos.

A realização desta análise tem, no entanto, que cumprir certos requisitos, tais como prazos de resposta e uma seleção de antibióticos adequados à realidade da prática clínica. As microbiologias do laboratório INNO são efetuadas num equipamento VITEK® 2, um equipamento automático que minimiza a manipulação humana e que, entre outras vantagens, permite obter a identificação dos organismos e respetivo TSA, após isolamento primário, em períodos substancialmente inferiores aos métodos tradicionais (1).

As cartas VITEK para realização do TSA utilizadas nas análises microbiológicas do laboratório INNO são cartas criadas especificamente para medicina veterinária, sendo testada a suscetibilidade dos agentes isolados a antibióticos exclusivos da medicina veterinária. Estas cartas são sujeitas periodicamente a revisões, cuja intenção é torná-las mais adequadas às moléculas e formulações comercialmente disponíveis no mercado veterinário. Assim, desde o ano passado, passou a ser incluído na lista de antibióticos testados a cefovecina, a substância activa do Convenia® e que, pela facilidade de administração e amplo espetro de ação, é amplamente utilizada nos CAMV's (2). Respeitando as indicações terapêuticas do antibiótico e as indicações do EUCAST (European Commitee on Antimicrobial Susceptibility Testing), passará então a ser emitido nos boletins de resultados das microbiologias o resultado do TSA dos seguintes agentes à cefovecina: Staphylococcus spp, Enterococcus spp, Streptococcus agalactiae e bacilos Gram negativo aeróbios de interesse clínico.

Para qualquer esclarecimento adicional, contacte o nosso laboratório.
 

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